Brain Congress 2017
- Dra Cristina Pozzi
- 18 de jun. de 2017
- 3 min de leitura

Este congresso Cérebro, Comportamento e Emoções já me encanta há alguns anos pelo fato da multidisciplinaridade e transversalidade, ou seja, o conhecimento emerge de várias fontes do saber com palestrantes de áreas e olhares diferentes. Você imagina o que é ouvir um escritor biólogo falar sobre como a neurociência pode ajudar a repensar o ser humano? Sim, este foi um dos momentos altos do congresso, Mia Couto a narrar de forma poética e muito sensível sua realidade em Moçambique, as vivências com um xamã que está a perder a visão e como seu pensamento e de todos que ali moram emerge por todo o corpo. A posição deste xamã de viver tangenciando a modernidade e a era digital e se manter em comunicação com a natureza é uma realidade rara hoje em dia em que a inevitabilidade da tecnologia está posta, para o bem ou para o mal.
Falou-se muito desta nova era digital e descobri que sou uma imigrante digital, diferentemente da geração considerada nativa digital, sim nasci na era analógica e, embora os dados mostram que 50% da população mundial é excluída digital (não tem acesso a conectividade), procuro acompanhar a tecnologia pois sua contribuição é inegável, mas inegável também são os exageros e os riscos que traz, os inúmeros estímulos que nos influenciam, a carga de informações a que nos submetemos, exigindo um cérebro multitarefas. Seria um jeito ou uma necessidade nos dias atuais?
E o tempo, este tema tão retratado da literatura, na filosofia e também na neurociência. O que é o presente? O que fazemos com ele? Ao que parece, nos dias tecnológicos de hoje, manter o foco implica numa atitude ativa de não sucumbir aos múltiplos apelos da multiconexão, mas também é importante variar as tarefas e não se superespecializar em apenas um assunto. Os melhores multitarefas, verdadeiros gênios, fizeram muitas coisas em muito tempo. Darwin por exemplo, estudou minhocas, plantas insetívoras, além da grandiosa obra A Origem das Espécies.
As atitudes que podemos tomar para cuidar do nosso cérebro também foram bastante discutidas e não fogem daquilo que já conhecemos e tratamos aqui: alimentação, atividade física, espiritualidade. Colocaria também na lista o sono. A velha e boa dieta do mediterrâneo tem seu lugar na prevenção de declínio cognitivo. A atividade física se sobrepõe à uma atividade mental, como montar um quebra-cabeça, por exemplo. E a espiritualidade pode vir com a meditação, o mindfullness ou o que lhe fizer esvaziar a mente e respirar, procurando a conexão consigo mesmo e a autoconsciência.
E para não me estender mais, apenas algumas reflexões e novidades sobre o autismo, tema tão atual e de tanto impacto. Houve um curso de atualização de um dia todo onde se discutiu a contribuição da genética e da epigenética na sua origem, cada vez mais genes identificados e implicados, mas também cada vez mais fatores de risco estudados e relacionados, fatores hormonais, imunológicos, neuroquímicos, entre outros. Também se falou muito das intersecções entre os transtornos do neurodesenvolvimento e o quebra-cabeças que é a sua identificação. Muitas vezes a co-ocorrência de transtorno do espectro do autismo com o transtorno do déficit de atenção e hiperatividade ou a deficiência intelectual ou a depressão ou a epilepsia e suas manifestações psiquiátricas. Enfim, há os casos clássicos e de fácil identificação, mas há aqueles em que é preciso monitorar o desenvolvimento, trabalhar as habilidades ou o déficit delas e ir repensando o diagnóstico.
Também foram apresentados novos instrumentos de rastreio e apoio ao diagnóstico do autismo, considerando-se que ainda há atraso no diagnóstico, decorrente da falta de informação, da falta de investigação ou observação das principais manifestações clínicas. De todas as certezas que se tem, uma delas é que quanto mais precoce o diagnóstico, melhor o prognóstico, desde que se encontre o tratamento adequado. Neste ponto, preocupa-me o fato de melhorarmos na identificação dos casos mas não termos muito a oferecer, pela escassez de profissionais e serviços especializados neste tratamento, além do seu alto custo. Desnecessário comentar os desdobramentos disto e a oportunidade que se apresenta ou não, conforme a condição da família.
Neste sentido, o que parece ser uma saída é a educação parental através da modelação de comportamentos. Uma das propostas é a vídeo modelação, ou seja, um programa com treino comportamental para os pais aplicarem em casa, ao longo do tempo com seu filho, o que também não é fácil e implica numa presença constante do cuidador. Ou seja, estamos caminhando, longe do ideal, mas a construção é diária e exige dedicação.
Encerro este post recomendando o congresso que será em Gramado em 2018 e citando uma frase de William Burroughs que resume um pouco o exercício da ciência “A magia precisa ser mais científica e a ciência, mais mágica”.
Saúde!









































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