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Pais & Filhos versus Saúde Mental

 

     Falar de saúde da família é falar também de comportamentos adaptados para uma dinâmica flexível e produtiva. A família é a base da organização social, sendo que cada integrante tem funções bem definidas, de acordo com os padrões de funcionamento escolhidos pelos seu membros.

     Participei de um congresso da Associação Brasileira de Neurologia e Psiquiatria Infantil, que abordou um tema de relevante interesse: “A criança e o Adolescente na Pós-Modernidade” e é com um pouco desta conversa em mente que convido os leitores a uma reflexão a respeito da influência do transtorno neurológico ou mental na saúde familiar. Como profissional da área de saúde infantil, irei analisar alguns aspectos psicodinâmicos inerentes a estes transtornos que acometem a criança desde a sua mais tenra idade até a adolescência.

     Quando falamos em criança, estamos nos referindo a um ser em pleno desenvolvimento de suas capacidades. Diferentemente do que se imaginava, a criança não é um adulto em miniatura, mas, sim, um ser que nasce com um aparato biológico comum a todos os seres humanos, com uma herança genética proveniente igualmente do pai e da mãe e que irá estruturar sua forma de funcionamento, estabelecendo suas conexões neurais,  com base nesta genética e no “input” sensorial, ou seja, naquilo que receber do meio ambiente. Nós modificamos o meio e somos modificados por ele. A todo comportamento apresentado haverá uma resposta do meio, que se for reforçadora fará com que esse comportamento persista e assim, criam-se as relações, primeiramente no núcleo familiar, depois no núcleo escolar e assim por diante. O contato visual, a linguagem e o brincar são formas de comunicação e estimulação imprescindíveis nos primeiros anos de vida.

     Se analisarmos, por exemplo, o impacto causado pela presença de uma criança com déficit intelectual numa família, veremos que, sem dúvida, originará diversos desdobramentos. Inicialmente, a questão da reversão da expectativa, vivenciada pelos pais que projetaram seus anseios e desejos na concepção desta criança, prepararam toda uma trajetória de vida e, de repente, a realidade não corresponde ao sonho. A criança não apresenta o desenvolvimento esperado, atrasa para andar, ou para falar, ou para aprender e se alfabetizar. Isto, seguramente, leva a um descompasso e com o tempo, inicia-se uma verdadeira via crucis pela busca de respostas a inúmeras perguntas: “O que aconteceu com nosso filho? Onde foi que erramos? Afinal, o que ele tem? O que podemos fazer? Até onde ele irá se desenvolver?” A lista de perguntas só tende a crescer e dentro deste contexto de incertezas, ali no seio familiar, temos um pequeno ser em crescimento e desenvolvimento, desprotegido, dependente, com dificuldades de expressão, que necessita de auxílio e compreensão.

     As necessidades de uma criança com déficit intelectual ou outro transtorno, seja epilepsia, déficit de atenção, autismo, entre tantos, incluem maiores cuidados e exigem mais dos pais, cuidadores, professores e profissionais da saúde. Se a educação de uma criança normal já é um desafio nos dias de hoje, o que dizer de uma criança que tem dificuldades motoras, ou na comunicação, ou aprendizado? A tarefa dos pais que precisam trabalhar, cuidar de casa, dos outros filhos é, então, acrescida de mais compromissos e prioridades. Sim, pois existe o momento certo para a intervenção, para uma melhor resposta. Quem já não ouviu dizer “quanto mais cedo, melhor”? Entra então a questão tempo: exames, tratamentos, terapias e todos os estímulos necessários para os melhores resultados.

     Como inserir esta criança na rotina familiar e administrar todas estas questões? Como suprir as necessidades do casal, dos filhos?

     De fato, é uma tarefa difícil, mas não impossível e sou testemunha. Tive e tenho a oportunidade de acompanhar várias crianças cujas famílias conseguiram se organizar e estabelecer metas e rotas para minimizar o seu sofrimento e o prejuízo daquele filho, colhendo resultados, muitas vezes, surpreendentes nesta caminhada.

     É fundamental que a família seja a primeira interessada e parceira dos profissionais que cuidam da criança, que seja informada detalhadamente a respeito do diagnóstico e, mais do que isso, das habilidades do seu filho, suas dificuldades, quais as expectativas em relação ao seu desenvolvimento e as maneiras para atingir estas metas. Importante salientar também, que, além desta orientação, os profissionais estejam atentos para os eventos familiares que estão ocorrendo, os anseios, medos, frustrações.

     E, finalmente, da mesma maneira que a família é um time, onde cada indivíduo exerce uma função, assim os profissionais envolvidos com a habilitação/reabilitação daquela criança têm que formar um time, uma equipe multi e interdisciplinar, em que cada um proverá condições para que este pequeno paciente venha a se desenvolver na sua plenitude, de forma global e com dignidade.

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